
Rever a Semana de 22, um momento histórico para as artes dentro do Modernismo brasileiro, faz repensar a história já constituída, seus desdobramentos, suas rupturas e também as continuidades presentes no começo do século XX. Dessa maneira, em sua comemoração de centenário, é preciso abordá-la criticamente por meio de alguns estudos mais recentes, que revelam outros olhares para o movimento modernista e seu legado, relacionados a novas questões de identidade nacional e/ou regional importantes para uma compreensão mais ampla do acontecimento.
Em parceria com o Instituto de Artes (IdA), esta mesa-redonda será mediada pela professora Maria do Carmo Couto da Silva, do departamento de Artes Visuais (VIS) e contará com as participações dos professores Fernando Marques, do departamento de Artes Cênicas (CEN), Nelson Inocêncio, também do departamento de Artes Visuais (VIS) e Eduardo Dimitrov, do Departamento de Sociologia do Instituto de Ciências Sociais (SOL/ICS).
Fernando Marques (CEN) abordará a dramaturgia modernista de Oswald e Mário de Andrade comentando sobre as peças teatrais mais importantes de Oswald de Andrade (1890-1954): “O rei da vela”, “O homem e o cavalo” e “A morta”, com ênfase nesta última. De Mário de Andrade (1893-1945), discutirá os libretos: a ópera cômica “Pedro Malazarte”, com música de Camargo Guarnieri, e a tragédia coral “Café”, com música de Hans-Joachim Koellreutter. A originalidade brasileira soma-se ao diálogo com as vanguardas internacionais nessas obras das décadas de 1930 e 1940, que acrescentam conteúdo político ao programa estético lançado em 1922.
Eduardo Dimitrov (SOL) discutirá a relação entre centro e periferia nas artes brasileiras recuperando a trajetória de alguns artistas pernambucanos, como Vicente do Rego Monteiro, Cícero Dias e Lula Cardoso Ayres. Se por um lado estes artistas colaboraram para a criação da estética modernista, por outro tiveram que lidar com uma tendência interpretativa que os ligava à expressões regionais, ou estereotipadas, de uma identidade nacional.
Nelson Inocêncio (VIS) fará uma abordagem acerca das primeiras coleções de arte sacra negra no início do século XX e de coleções mais recentes. O intuito é o de analisar como as coleções, constituídas a partir de legados nefastos, a exemplo do racismo colonial e da intolerância religiosa, coexistiram por tanto tempo com o movimento modernista, cujo projeto evidenciava a valorização das culturas indígenas e negras. Além disso, demonstrará os avanços obtidos após as problemáticas coleções que foram fruto do exotismo.
Contamos com sua participação no debate virtual enviando perguntas aos professores! O evento será transmitido pelo canal da CAL (https://www.youtube.com/watch?v=_KCbMLB1oww) na sexta-feira, 18/fev/2022, às 16:00. Clique aqui para fazer sua inscrição no SIGAA. Para que sua participação seja certificada, é necessário se inscrever no SIGAA e, no dia do evento, preencher formulário de frequência pelo chat do YouTube.
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Eduardo Dimitrov é professor do PPGSOL e do Departamento de Sociologia da UnB. Ao estudar o modernismo pernambucano e intelectuais locais, dedica-se à compreensão do processo de criação de identidades regionais e nacionais perpassando temas que interligam antropologia e sociologia da arte, literatura, história, patrimônio cultural e pensamento social brasileiro. |
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Fernando Marques é professor do Departamento de Artes Cênicas da UnB, escritor e compositor. Autor de “Últimos: comédia musical” (livro-cd), “Zé: peça em um ato” e “Com os séculos nos olhos: teatro musical e político no Brasil dos anos 1960 e 1970”. |
![]() | Maria do Carmo Couto da Silva é Mestra e Doutora em História da Arte pelo IFCH/UNICAMP. Professora adjunta no curso de Teoria, Crítica e História da Arte – IdA/UnB. |
![]() | Nelson Fernando Inocêncio da Silva é formado em Comunicação e é professor do Departamento de Artes Visuais da UnB, onde leciona desde 1995. Ao longo da carreira acadêmica, publicou vários artigos abordando questões alusivas às artes e culturas negras, além de lançar dois livros sobre este assunto. |




